terça-feira, 1 de julho de 2014

Planejamento Anos Finais - Matisse



1.1         ENSINO FUNDAMENTAL II

O estágio do ensino fundamental II aconteceu na Escola de Educação Básica Professor Antônio Francisco de Campos com os alunos do 8º ano do período matutino, tendo como envolvidos no processo 21 discentes, 01 segundo professor e demais professores das disciplinas específicas dos dois dias que tão gentilmente a escola organizou-se para pudesse ser desenvolvido este trabalho.

Como a escola possui salas ambientes, os alunos do 8º ano foram conduzidos até a sala do 3º ano naquela manhã. Ao acomodarem-se me apresentei dizendo que estava desenvolvendo um estágio da faculdade, que trabalharíamos juntos por dois dias e que a única disciplina que teriam contato seria com a disciplina de ensino da arte. Perguntei a eles se poderia contar com a colaboração de todos para as aulas e as atividades e responderam –me que estavam dispostos a conhecer uma nova proposta.
A princípio fiquei apreensiva quanto à turma, pois para mim era um desafio. A turma era razoavelmente pequena, mas os alunos tinham muitas dificuldades de aprendizagem e foram colocados juntos para que tivessem um conteúdo mais direcionado e melhor aproveitado por eles. A turma em si, era tranquila, o que realmente preocupava era o conteúdo ser apropriado para eles, foi então que decidimos adaptar as atividades que seriam desenvolvidas para aquela turma o que acabou nivelando e tendo sucesso. As atividades foram pensadas para o todo com algumas especificidades, por exemplo, a dificuldade de interpretação e execução dos alunos. 

Em seguida os alunos foram questionados quanto ao conhecerem o artista Henri Matisse e algumas de suas obras, responderam que nunca haviam ouvido falar sobre ele e nem mesmo trabalhado alguma obra do artista. Expliquei então que Matisse foi um artista fauvista onde esse movimento visava despertar a sensação e a emoção através do uso das cores e expressividade das obras visando sair do tradicional pintando as cores de forma atípica. Partindo do meu questionamento se sabiam o que eram cores primárias e secundárias e quais as cores primárias e secundárias e das respostas dos alunos convidei dois deles para virem até a frente em duas cartolinas distintas colocarem círculos com as cores primárias e secundárias onde posteriormente foi fixado em sala para compreensão do tema estudado.
Em seguida foi abordado quanto à existência da classificação das cores primárias e secundárias tipificando – as em cores puras e a mistura de duas cores primárias que resulta nas secundárias. Para que os alunos se apropriassem dos conceitos e classificassem as cores, foi levado imagens de revistas onde puderam identificar e as circular, depois disso apresentaram no coletivo as cores encontradas na imagem que receberam. Sobre as aulas de artes pode-se afirmar que:

“Nas aulas de artes, a ênfase não deveria estar, por exemplo, na teoria das cores, mas no provocar a sensibilidade cromática; não na história da arte impressionista, mas no ressignificar o momento de olhar a vitalidade das cores e das coisas, na fugacidade impressa pelo gesto do artista”. (Martins; Picosque; Guerra 1998, p.117)

Então, formaram grupos de quatro pessoas, sendo entregue um pedaço de papel pardo para forrarem as mesas e o material que  utilizariam, os alunos estavam eufóricos, pois não sabiam como e qual atividade iriam realizar. Perguntavam uns para os outros “pra que canetinha?”, “será que vamos fazer café? Tem um copo”, “ É mesmo tem água também, só se for frio”. Foram em seguida questionados quanto ao que era possível fazer com tais materiais (copo, filtro, tesoura e durex) e após dizerem “café”, foi  explicado que realizariam primeiramente uma experiência sendo a atividade.
Foi solicitado que recortassem primeiramente o fundo do filtro de café e em seguida recortar o restante em seis tiras que deveriam ser da altura do copo, em seguida deveriam desenhar uma espiral na cor azul um pouco abaixo da metade do papel, prendendo no lápis com fita adesiva para que ficasse fixo no copo de forma que a parte de baixo da tira encostasse à água. Devendo esperar alguns minutos até que o papel absorvesse e então observarem assim se houveram mudanças ou não.
O objetivo desta atividade era o experenciar a cor, que depois de trabalharem com a interpretação visual de uma obra de arte de Matisse, pudessem se apropriar dos conceitos no que diz respeito a o que são e quais são as cores primárias e secundárias observando seu próprio trabalho, permitindo assim o contato com a cor e sua criação. A cada tira, os alunos puderam verificar a transformação e ao final concluírem construindo seu próprio conceito.
No primeiro momento foi realizado a experiência com as cores primárias, instigando-os se haviam percebido alguma modificação quanto a cor no filtro e assim separando-as da próxima etapa, os alunos responderam com negação afirmando que as cores estavam iguais.
Sobre todas as tiras realizadas com as cores primárias, os alunos quando instigados, responderam que elas haviam permanecido com as mesmas cores do espiral. Já na segunda parte, realizado com as cores secundárias, os alunos responderam que havia mudanças sobre as cores do espiral. Quando perguntado a eles qual cor havia na tira do laranja, alguns responderam que haviam a cor amarelo e a cor vermelha; quando perguntado sobre a tira de cor roxa, responderam alguns que apareceu vermelho e azul e quanto à verde, responderam amarelo e azul. Porém sobre algumas tiras, visualizamos que não houve alterações, então foi explicado que devido ao uso de canetinhas com marcas diversas, poderia acontecer, pois os componentes entre uma e outra eram diferentes.
Então foram conduzidos ao mesmo procedimento para as cores secundárias, sendo que ao final perceberam que haviam cores diferentes das que realizaram a espiral, relatando a diferença entre ambas, pois para estas (secundárias) apareceram as duas cores da junção. Concluindo ao final com as seis tiras em mãos que a primeira parte (primárias) apareceu somente uma cor, pois não há mistura, já na segunda (secundárias) duas cores por haver mistura de duas cores primárias. Realizaram o registro no caderno.
 Em seguida, um texto foi entregue: Teoria das Cores e realizaram leitura no coletivo sendo explicando durante a leitura pausada sobre a teoria da cor, a importância da cor e o avanço das cores complementando e retomado a importância e o estudo da cor para o artista Henri Matisse.
Apresentei aos alunos duas imagens de uma mesma temática – Interior Vermelho, Natureza Morta sobre Mesa Azul e Interior, aquário com peixes vermelhos, onde através do reconhecimento dos elementos contidos em cada uma delas e suas semelhanças, foi proposto aos alunos que com giz de cera (cores primárias e secundárias), desenhassem em folha sulfite o que havia em comum numa cena e outra após realizarmos leitura visual das duas obras.
            Após a leitura visual e oral, foi solicitado aos alunos que percebessem o que havia de semelhanças e diferenças entre as duas obras apresentadas. Em seguida realizassem sua própria obra contendo os elementos que haviam observado visualmente.
            Tanto no primeiro desenho quanto no segundo, podemos perceber que utilizaram o desenho da mesa, da janela e do vaso. Criaram um ambiente utilizando as semelhanças, bem como as cores primárias e cores secundárias para finalização do desenho.
Ao concluirmos a atividade retomamos a importância e o estudo da cor para o artista Henri Matisse bem como experienciar o trabalho com a cor.              
Relembrando o que foi trabalhado no dia anterior tendo como referência o cartaz elaborado sobre as cores primárias e secundárias, o que são e quais são, foi entregue aos alunos três folhas de papel canson e tinta nas cores primárias onde pintaram cada folha com uma cor, separando-as para atividade posterior. Os alunos extremamente organizados sentaram em grupo onde colocaram o nome atrás da folha e juntos fizeram a pintura todos com uma mesma cor e assim nas três cores, esticaram jornal no chão em três espaços distintos e colocaram as folhas coloridas, separadas para secagem.
Enquanto aguardavam secar a tinta, foram apresentadas aos alunos três obras impressas do artista Henri Matisse para cada aluno numa mesma folha e realizado novamente a abordagem sobre fauvismo e modernismo a fim de fixar o conteúdo trabalhado e as obras sendo elas – Interior Amarelo e Azul, Interior Vermelho, Natureza Morta sobre Mesa Azul e Interior, aquários com peixes vermelhos. Ao serem apresentadas as imagens, realizamos no coletivo a leitura visual das obras.
As leituras de imagem são parte do nosso dia a dia. Ao observarmos uma obra, tentamos imaginar o que foi ali retratado e nos colocamos na mesma época, analisando suas características e quando a interpretamos acabamos relacionando-as com conhecimentos próprios.
Na sequencia foi distribuído uma folha contendo três questões para serem respondidas individualmente: 1- Qual a cor que mais aparece nas imagens, 2- Que sensações as imagens transmitem e 3 – Você gosta dessa imagem? Por quê? cada aluno falou na sua vez as respostas das perguntas socializando as respostas no coletivo e os conduzi a leitura das imagens relacionando as respostas com o que possivelmente o artista quis passar na obra.
A cor transmite inúmeras sensações, as observamos em diferentes contextos, os alunos certamente observaram com outros olhos as imagens analisadas e puderam perceber a cor como expressão atribuída em cada obra, falando assim sobre suas próprias sensações.


Questionei-os quanto às cores que estavam observando e entreguei um óculos de celofane imitando as lentes sobre a armação – com as cores primárias onde os possibilitou a observação estimulando a percepção e sensação sobre as cores.
Os alunos trocaram os óculos para que todos pudessem experimentar as três cores. No momento em que observavam as obras alguns comentários foram relevantes, como por exemplo quando uma aluna ao observar com os óculos da cor vermelha disse: “parece que as coisas esquentam”, enquanto outro aluno com a cor azul dizia: “esse parece que tô no céu” e uma com a cor amarela dizia se sentir ela mesma, sem alteração de humor.
Na verdade foi positiva a atividade pois despertou sensações de bem estar, uma vez que captadas pelos olhos transmitem ao cérebro reações que refletem de diversas formas. Então foi complementado pela estagiária acadêmica, que as cores fazem parte do nosso dia a dia desde a hora de escolhermos a roupa que vamos usar, até a cor dos alimentos que colocamos em nosso prato, na decoração de nossa casa onde cada uma tem uma função que afeta tanto o corpo quanto a mente.
Explicou-se inclusive que as cores que os seres humanos percebem, não são as mesmas percebidas pelo reino animal, pois o espectro visível varia de uma espécie para outra, por exemplo a cobra que comprovada cientificamente é míope, enxergando pouco ou quase nada. Foi falado sobre a dificuldade desse réptil não identificar as cores, apenas luzes, visão infravermelho e movimentos.
Instiguei-os sobre o que sentiram ao ver os objetos ao seu redor e as obras trabalhadas, com as cores que receberam e responderam ser uma sensação estranha, então conversamos sobre a visão de alguns animais serem diferenciadas da dos seres humanos.
 A acadêmica estagiária os conduziu a atividade do sorteio das cores, havendo uma caixa de papel contendo as seis cores trabalhadas, e cada aluno pegou sem escolher uma cor e a partir desta exploraram as suas tonalidades monocromáticas partindo da cena diária de sua casa, numa folha.
Como os alunos tinham gincana escolar neste dia apresentação da biografia do artista Henri Matisse ao invés de ser contada através de história elaborada em folhas de A3, foi apresentada no Power point sendo abordada a trajetória de vida dele e o movimento modernista onde os artistas da época – fauvistas negavam-se ao “tradicionalismo” vigente da época e buscavam uma inovação na criação de uma nova cultura em prol da Arte.

“O ser humano é por natureza um ser criativo. No ato de perceber, ele tenta interpretar, já começa a criar. Não existe um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação. Isso se traduz na linguagem artística de uma maneira extraordinariamente simples, embora os conteúdos sejam complexos”. (FAYGA, 1989, p.167)

Após o contato com as obras e com a biografia ressaltei a fase da vida do artista onde o mesmo se utilizava da pintura de folhas e da minunciosidade sobre o espaço que trabalhava onde não recortava, deixando a tesoura aberta usando o movimento livre do recorte, ressaltando a sensação do volume integrando fundo e recorte colados sendo constituído pelo espaço que separa as peças coloridas e solicitado aos alunos que realizassem a partir disso uma obra individual com a folha anteriormente pintada, sobrepondo-a a uma branca, tendo como temática cena de interior podendo ser escolhido uma peça escola, mas não a sala de aula.
Para finalizar as atividades fizeram uma roda de conversa onde foram expostos os trabalhos dos alunos em painel na parede ao lado das três obras de Matisse realizando comparativo com relação às cores, formas e sensações, fazendo comparativo pensando na experiência vivenciada.
   Ao final de mais um momento enriquecedor que foi o terceiro estágio, pude perceber que apesar de ter sido um grande desafio desde o pensar nas atividades até sua execução, foi satisfatório. Os alunos dedicaram-se para compreender e desenvolver a proposta. A segunda professora da turma auxiliou em todos os momentos, o que se tornou ainda mais rico o processo. Não posso deixar de citar que todos os professores que tiveram aula durante o período das dez horas, se fizeram presentes inclusive equipe gestora e administrativa da escola, passaram para observar, conhecer a proposta e elogiar a todos os envolvidos.
Acredito que quando a escola é entrosada em todos os âmbitos, quem sai ganhando certamente é o aluno, na qualidade do ensino, no ambiente que o espera e nos profissionais que irão fazer parte da sua rotina diária.
Foi exatamente prazeroso desenvolver o planejamento nesta escola, pois uma equipe engajada só tende a fazer elevar a qualidade da aprendizagem dos alunos.

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