1.1 ENSINO FUNDAMENTAL II
O estágio do
ensino fundamental II aconteceu na Escola de Educação Básica Professor Antônio
Francisco de Campos com os alunos do 8º ano do período matutino, tendo como
envolvidos no processo 21 discentes, 01 segundo professor e demais professores
das disciplinas específicas dos dois dias que tão gentilmente a escola
organizou-se para pudesse ser desenvolvido este trabalho.
Como a escola
possui salas ambientes, os alunos do 8º ano foram conduzidos até a sala do 3º
ano naquela manhã. Ao acomodarem-se me apresentei dizendo que estava
desenvolvendo um estágio da faculdade, que trabalharíamos juntos por dois dias
e que a única disciplina que teriam contato seria com a disciplina de ensino da
arte. Perguntei a eles se poderia contar com a colaboração de todos para as
aulas e as atividades e responderam –me que estavam dispostos a conhecer uma
nova proposta.
A princípio fiquei
apreensiva quanto à turma, pois para mim era um desafio. A turma era
razoavelmente pequena, mas os alunos tinham muitas dificuldades de aprendizagem
e foram colocados juntos para que tivessem um conteúdo mais direcionado e
melhor aproveitado por eles. A turma em si, era tranquila, o que realmente
preocupava era o conteúdo ser apropriado para eles, foi então que decidimos
adaptar as atividades que seriam desenvolvidas para aquela turma o que acabou
nivelando e tendo sucesso. As atividades foram pensadas para o todo com algumas
especificidades, por exemplo, a dificuldade de interpretação e execução dos
alunos.
Em seguida os
alunos foram questionados quanto ao conhecerem o artista Henri Matisse e
algumas de suas obras, responderam que nunca haviam ouvido falar sobre ele e
nem mesmo trabalhado alguma obra do artista. Expliquei então que Matisse foi um
artista fauvista onde esse movimento visava despertar a sensação e a emoção
através do uso das cores e expressividade das obras visando sair do tradicional
pintando as cores de forma atípica. Partindo do meu questionamento se sabiam o
que eram cores primárias e secundárias e quais as cores primárias e secundárias
e das respostas dos alunos convidei dois deles para virem até a frente em duas cartolinas distintas
colocarem círculos com as cores primárias e secundárias onde posteriormente foi
fixado em sala para compreensão do tema estudado.
Em seguida foi abordado
quanto à existência da classificação das cores primárias e secundárias tipificando
– as em cores puras e a mistura de duas cores primárias que resulta nas
secundárias. Para que os alunos se apropriassem dos conceitos e classificassem as
cores, foi levado imagens de revistas onde puderam identificar e as circular,
depois disso apresentaram no coletivo as cores encontradas na imagem que
receberam. Sobre as aulas de artes pode-se afirmar que:
“Nas
aulas de artes, a ênfase não deveria estar, por exemplo, na teoria das cores,
mas no provocar a sensibilidade cromática; não na história da arte
impressionista, mas no ressignificar o momento de olhar a vitalidade das cores
e das coisas, na fugacidade impressa pelo gesto do artista”. (Martins;
Picosque; Guerra 1998, p.117)
Então, formaram grupos de
quatro pessoas, sendo entregue um pedaço de papel pardo para forrarem as mesas
e o material que utilizariam, os alunos
estavam eufóricos, pois não sabiam como e qual atividade iriam realizar.
Perguntavam uns para os outros “pra que canetinha?”, “será que vamos fazer
café? Tem um copo”, “ É mesmo tem água também, só se for frio”. Foram em
seguida questionados quanto ao que era possível fazer com tais materiais (copo,
filtro, tesoura e durex) e após dizerem “café”, foi explicado que realizariam primeiramente uma
experiência sendo a atividade.
Foi solicitado que
recortassem primeiramente o fundo do filtro de café e em seguida recortar o
restante em seis tiras que deveriam ser da altura do copo, em seguida deveriam
desenhar uma espiral na cor azul um pouco abaixo da metade do papel, prendendo
no lápis com fita adesiva para que ficasse fixo no copo de forma que a parte de
baixo da tira encostasse à água. Devendo esperar alguns minutos até que o papel
absorvesse e então observarem assim se houveram mudanças ou não.
O objetivo desta atividade
era o experenciar a cor, que depois de trabalharem com a interpretação visual
de uma obra de arte de Matisse, pudessem se apropriar dos conceitos no que diz
respeito a o que são e quais são as cores primárias e secundárias observando
seu próprio trabalho, permitindo assim o contato com a cor e sua criação. A
cada tira, os alunos puderam verificar a transformação e ao final concluírem
construindo seu próprio conceito.
No primeiro momento foi
realizado a experiência com as cores primárias, instigando-os se haviam
percebido alguma modificação quanto a cor no filtro e assim separando-as da
próxima etapa, os alunos responderam com negação afirmando que as cores estavam
iguais.
Sobre todas as tiras
realizadas com as cores primárias, os alunos quando instigados, responderam que
elas haviam permanecido com as mesmas cores do espiral. Já na segunda parte,
realizado com as cores secundárias, os alunos responderam que havia mudanças
sobre as cores do espiral. Quando perguntado a eles qual cor havia na tira do
laranja, alguns responderam que haviam a cor amarelo e a cor vermelha; quando
perguntado sobre a tira de cor roxa, responderam alguns que apareceu vermelho e
azul e quanto à verde, responderam amarelo e azul. Porém sobre algumas tiras,
visualizamos que não houve alterações, então foi explicado que devido ao uso de
canetinhas com marcas diversas, poderia acontecer, pois os componentes entre
uma e outra eram diferentes.
Então foram conduzidos ao
mesmo procedimento para as cores secundárias, sendo que ao final perceberam que
haviam cores diferentes das que realizaram a espiral, relatando a diferença
entre ambas, pois para estas (secundárias) apareceram as duas cores da junção.
Concluindo ao final com as seis tiras em mãos que a primeira parte (primárias) apareceu
somente uma cor, pois não há mistura, já na segunda (secundárias) duas cores
por haver mistura de duas cores primárias. Realizaram o registro no caderno.
Em seguida, um texto foi entregue: Teoria das Cores e
realizaram leitura no coletivo sendo explicando durante a leitura pausada sobre
a teoria da cor, a importância da cor e o avanço das cores complementando e
retomado a importância e o estudo da cor para o artista Henri Matisse.
Apresentei aos alunos duas
imagens de uma mesma temática – Interior Vermelho, Natureza Morta sobre Mesa
Azul e Interior, aquário com peixes vermelhos, onde através do reconhecimento
dos elementos contidos em cada uma delas e suas semelhanças, foi proposto aos
alunos que com giz de cera (cores primárias e secundárias), desenhassem em
folha sulfite o que havia em comum numa cena e outra após realizarmos leitura
visual das duas obras.
Após a leitura visual e oral, foi solicitado aos alunos
que percebessem o que havia de semelhanças e diferenças entre as duas obras
apresentadas. Em seguida realizassem sua própria obra contendo os elementos que
haviam observado visualmente.
Tanto
no primeiro desenho quanto no segundo, podemos perceber que utilizaram o
desenho da mesa, da janela e do vaso. Criaram um ambiente utilizando as
semelhanças, bem como as cores primárias e cores secundárias para finalização
do desenho.
Ao concluirmos a atividade
retomamos a importância e o estudo da cor para o artista Henri Matisse bem como
experienciar o trabalho com a cor.
Relembrando o que foi
trabalhado no dia anterior tendo como referência o cartaz elaborado sobre as
cores primárias e secundárias, o que são e quais são, foi entregue aos alunos
três folhas de papel canson e tinta nas cores primárias onde pintaram cada folha
com uma cor, separando-as para atividade posterior. Os alunos extremamente
organizados sentaram em grupo onde colocaram o nome atrás da folha e juntos
fizeram a pintura todos com uma mesma cor e assim nas três cores, esticaram
jornal no chão em três espaços distintos e colocaram as folhas coloridas,
separadas para secagem.
Enquanto aguardavam secar a
tinta, foram apresentadas aos alunos três obras impressas do artista Henri
Matisse para cada aluno numa mesma folha e realizado novamente a abordagem
sobre fauvismo e modernismo a fim de fixar o conteúdo trabalhado e as obras
sendo elas – Interior Amarelo e Azul, Interior Vermelho, Natureza Morta sobre
Mesa Azul e Interior, aquários com peixes vermelhos. Ao serem apresentadas as
imagens, realizamos no coletivo a leitura visual das obras.
As leituras de imagem são
parte do nosso dia a dia. Ao observarmos uma obra, tentamos imaginar o que foi
ali retratado e nos colocamos na mesma época, analisando suas características e
quando a interpretamos acabamos relacionando-as com conhecimentos próprios.
Na sequencia foi distribuído
uma folha contendo três questões para serem respondidas individualmente: 1-
Qual a cor que mais aparece nas imagens, 2- Que sensações as imagens transmitem
e 3 – Você gosta dessa imagem? Por quê? cada aluno falou na sua vez as
respostas das perguntas socializando as respostas no coletivo e os conduzi a
leitura das imagens relacionando as respostas com o que possivelmente o artista
quis passar na obra.
A cor transmite inúmeras
sensações, as observamos em diferentes contextos, os alunos certamente
observaram com outros olhos as imagens analisadas e puderam perceber a cor como
expressão atribuída em cada obra, falando assim sobre suas próprias sensações.
Questionei-os quanto às
cores que estavam observando e entreguei um óculos de celofane imitando as
lentes sobre a armação – com as cores primárias onde os possibilitou a
observação estimulando a percepção e sensação sobre as cores.
Os alunos trocaram os óculos
para que todos pudessem experimentar as três cores. No momento em que observavam
as obras alguns comentários foram relevantes, como por exemplo quando uma aluna
ao observar com os óculos da cor vermelha disse: “parece que as coisas
esquentam”, enquanto outro aluno com a cor azul dizia: “esse parece que tô no
céu” e uma com a cor amarela dizia se sentir ela mesma, sem alteração de humor.
Na verdade foi positiva a
atividade pois despertou sensações de bem estar, uma vez que captadas pelos
olhos transmitem ao cérebro reações que refletem de diversas formas. Então foi
complementado pela estagiária acadêmica, que as cores fazem parte do nosso dia
a dia desde a hora de escolhermos a roupa que vamos usar, até a cor dos
alimentos que colocamos em nosso prato, na decoração de nossa casa onde cada
uma tem uma função que afeta tanto o corpo quanto a mente.
Explicou-se inclusive que as
cores que os seres humanos percebem, não são as mesmas percebidas pelo reino
animal, pois o espectro visível varia de uma espécie para outra, por exemplo a
cobra que comprovada cientificamente é míope, enxergando pouco ou quase nada.
Foi falado sobre a dificuldade desse réptil não identificar as cores, apenas
luzes, visão infravermelho e movimentos.
Instiguei-os sobre o que
sentiram ao ver os objetos ao seu redor e as obras trabalhadas, com as cores
que receberam e responderam ser uma sensação estranha, então conversamos sobre
a visão de alguns animais serem diferenciadas da dos seres humanos.
A acadêmica estagiária os conduziu a atividade
do sorteio das cores, havendo uma caixa de papel contendo as seis cores
trabalhadas, e cada aluno pegou sem escolher uma cor e a partir desta
exploraram as suas tonalidades monocromáticas partindo da cena diária de sua
casa, numa folha.
Como os alunos tinham
gincana escolar neste dia apresentação da biografia do artista Henri Matisse ao
invés de ser contada através de história elaborada em folhas de A3, foi
apresentada no Power point sendo abordada a trajetória de vida dele e o
movimento modernista onde os artistas da época – fauvistas negavam-se ao “tradicionalismo”
vigente da época e buscavam uma inovação na criação de uma nova cultura em prol
da Arte.
“O ser humano é por natureza um ser
criativo. No ato de perceber, ele tenta interpretar, já começa a criar. Não
existe um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação. Isso se
traduz na linguagem artística de uma maneira extraordinariamente simples,
embora os conteúdos sejam complexos”. (FAYGA, 1989, p.167)
Após o contato com as obras
e com a biografia ressaltei a fase da vida do artista onde o mesmo se utilizava
da pintura de folhas e da minunciosidade sobre o espaço que trabalhava onde não
recortava, deixando a tesoura aberta usando o movimento livre do recorte,
ressaltando a sensação do volume integrando fundo e recorte colados sendo constituído
pelo espaço que separa as peças coloridas e solicitado aos alunos que
realizassem a partir disso uma obra individual com a folha anteriormente
pintada, sobrepondo-a a uma branca, tendo como temática cena de interior
podendo ser escolhido uma peça escola, mas não a sala de aula.
Para finalizar
as atividades fizeram uma roda de conversa onde foram expostos os trabalhos dos
alunos em painel na parede ao lado das três obras de Matisse realizando
comparativo com relação às cores, formas e sensações, fazendo comparativo
pensando na experiência vivenciada.
Ao final de mais um momento enriquecedor que foi o terceiro
estágio, pude perceber que apesar de ter sido um grande desafio desde o pensar
nas atividades até sua execução, foi satisfatório. Os alunos dedicaram-se para
compreender e desenvolver a proposta. A segunda professora da turma auxiliou em
todos os momentos, o que se tornou ainda mais rico o processo. Não posso deixar
de citar que todos os professores que tiveram aula durante o período das dez
horas, se fizeram presentes inclusive equipe gestora e administrativa da
escola, passaram para observar, conhecer a proposta e elogiar a todos os
envolvidos.
Acredito que quando a escola
é entrosada em todos os âmbitos, quem sai ganhando certamente é o aluno, na
qualidade do ensino, no ambiente que o espera e nos profissionais que irão
fazer parte da sua rotina diária.
Foi exatamente prazeroso
desenvolver o planejamento nesta escola, pois uma equipe engajada só tende a
fazer elevar a qualidade da aprendizagem dos alunos.
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